Este artigo surgiu após um seguidor compartilhar comigo um vício que tem o incomodado.
Percebi que, de certa forma, todos lidamos com esse tipo de desafio em algum nível, eisso me levou a refletir profundamente sobre o vício, entendendo que não se trata apenas de “um vício em algo”, mas do vício em si.
Neste artigo, vamos explorar o que realmente significa “ser viciado”, como essa dinâmica está ligada às nossas emoções e sentimentos, e como ela impacta o nosso estado de ser.
Ao final, você descobrirá que se expor e perceber seus próprios vícios pode abrir caminhos para experiências mais elevadas e satisfatórias (virtudes).
Em primeiro lugar, na minha visão todos nós temos algum vício.
Seja ele inconsciente ou consciente, sempre temos um vício ou outro.
A única forma de não termos nenhum vício seria se não tivéssemos nenhuma virtude, o que provavelmente nos levaria a uma ausência de sentimentos.
Calma, eu vou explicar.
Quando o assunto é vício, as pessoas logo pensam em ações. Só que o vício não é o ato de fumar, ver pornografia, consumir determinada droga ou tipo de conteúdo informacional.
Entendendo o vício
O vício não está na ação em si, mas no que essa ação provoca em nós — e é aqui que entra o sentimento.
O sentimento é o resultado de uma reação emocional que geralmente é ressoante com um estado de ser.
Veja, isso não ocorre de forma linear, tipo: “sinto uma emoção e então surge um sentimento”.
Não é assim que funciona.
Trata-se de uma relação que tende muito mais a uma dialética entre ação, emoção e sentimento, sendo esta a síntese dessa troca que modula o estado de ser do indivíuo.
O sentimento é o que satisfaz o ser, seja esse sentimento de “baixa frequência”, seja ele de “alta frequência”.
Se o que você vivencia e sente te satisfaz do ser ao Ser, você está em uma “alta frequência” (alta = maior potencial de alcance e contemplação do Ser – que muitas vezes confundimos com Deus).
Por isso que o propósito da ascensão é tão importante para entendermos esse processo de sensibilização do ser em relação ao Ser.
A emoção está diretamente ligada a uma questão objetiva, fisiológica e psicológica.
Ela pertence ao plano inferior da satisfação e da vontade. Ou seja, do lado da satisfação temos o prazer, e, pelo lado da vontade, temos o medo e a coragem.
O sentimento é puramente mental, ou seja, faz parte desse processo.
O vício atua justamente na parte inferior, de forma que, toda vez que experimentamos uma ação, manipulamos o sentimento a partir da emoção que ela causa.
Por exemplo, quando usamos uma droga, ela provoca alegria (uma emoção), e essa alegria gera um sentimento de satisfação.
Aqui entramos no conceito de vontade x satisfação.
Entretanto, como o vício não flui por todas as camadas do ser (não nos leva a um estado de alta frequência) e se restringe à troca entre o campo emocional e o sentimental — bem como à estrutura psicológica e fisiológica do indivíduo que habita na parte mais densa da existência —, tendemos à compulsão, ou seja, a repetir a ação e não ter controle sobre ela.
É isso que chamamos de vício.
Mas aprendemos a restringir nossa percepção àpenas o campo das ações (transar, fumar, beber, cheirar).
Todos nós temos essa estrutura dentro de nós. Portanto, eu não consigo me ver completamente livres de vícios, e assim imagino que sejam as pessoas, afinal, sem o vício, não haveria a virtude, e, sem a virtude, não haveria o vício.
Uma parte de nós nega (esconde) os próprios vícios porque tem vergonha ou sente culpa.
Em casos mais comuns, vícios são reprimidos, já que representam uma vulnerabilidade para o ego.
E nos casos mais evidentes, como o vício de fumar, a pessoa entre em um estado de dissonância, em que se convenceu de que o único caminho para provocar determinado tipo de satisfação é aquele que muitas vezes é tóxico e agressivo ao ser.
E nessa condição ela se convence de que precisa repetir aquilo o tempo inteiro, pois assim ela se instala naquela “frequência” e reprete os padrões tóxicos.
Mas como eu disse, o vício não é apenas fumar, ver pornô, ou ficar o tempo inteiro no celular.
Somos viciados em ter o controle das coisas, em nos preocupar demais, em querer saber da vida dos outros ou em saber o que acontece no mundo.
Somos viciados em consumo, em trabalho, em sonhos, em desejos.
Queremos tudo, o tempo todo. E isso também é vício.
O pior vício, na minha visão, é aquele que negamos, porque não é errado ter um vício. O que é danoso é negá-lo e reprimi-lo.
Provavelmente você já viu em filmes pessoas se chicotearem para pagar pelos seus pecados.
Esses pecados são basicamente vícios.
Na vida real, é a mesma coisa… o mesmo dano, só que a nível mental (além de psicológico e fisiológico).
Nós chicoteamos o nosso ser com a culpa, com a vergonha, com o medo, com a tristeza, além de algumas substâncias tóchicas.
E isso também está no lado “bom” como o prazer sexual, a alegria e até a caridade (pasme).
O lado positivo se comunica com o lado negativo, e as qualidade morais de um não o isenta de ser um vício.
Em contrapartida ao vício, temos a virtude.
A virtude é como o vício, mas pela outra face da moeda.
Enquanto o vício contempla a parte inferior do ser, a virtude contempla a parte superior.
Enquanto o vício serve à ilusão, à alienação, à alucinação e à mentira, a virtude serve à verdade, à iluminação e à realização.
Não veja isso como pejorativo, veja isso como polos opostos e correspondentes de uma mesma dualidade.
Quando somos virtuosos, sentimos felicidade. E felicidade não é uma emoção — felicidade é um estado de ser.
Por isso, digo que o vício não é errado.
Porque, quando nos sentimos felizes, queremos continuar assim. E, quando “perdemos” a felicidade , sentimos abstinência.
Seja verdadeiro consigo mesmo
O objetivo deste artigo é mostrar essa dinâmica para que você comece a aceitar mais os seus vícios e se relacione com eles de forma mais verdadeira.
Dessa forma, você poderá liberar o fluxo entre seus vícios e suas virtudes, satisfazendo-se com experiências mais elevadas, e não apenas com experiências conectadas ao seu corpo e fatores psicológicos.
Quando praticada, a virtude causa algo que parece não pertencer a nós. É o que chamo de êxtase.
O êxtase parece nos levar para além do nosso corpo, como se estivéssemos sentindo algo que não é nosso, algo que se origina de outro lugar, algo que nunca havíamos conhecido antes.
Algumas pessoas alcançam isso por meio da fé (outras apeans se contam essa história).
Esse êxtase pode ser facilmente confundido com o prazer que o vício nos causa, mas é diferente.
Ele nos move a um processo contínuo de autovalorização, autopriorização e busca pela verdade — algo que o vício, por si só, não permite vivenciar.
Em uma próxima ocasião, vou falar sobre por que nos viciamos e como podemos lidar com o vício disfuncional, aquele que já tomou conta dos nossos impulsos e age praticamente sozinho sobre nós.
Se você quer que eu escreva esse artigo, se acha que ele será útil para você, deixa um comentário aqui embaixo para eu saber que esse assunto interessa a mais pessoas (assim eu demoro menos tempo para produzir kkk).
Se você é um pouco mais sensível, já deve ter percebido que isso tem tudo a ver com Propósito Maior, com a satisfação de uma vontade em nível superior e com a forma como você direciona sua consciência ao que realmente contempla o seu ser.
Leia outros artigos desse Blog e também Os Princípios da Filosofia OutSense, que isso pode te ajudar a entender melhor.
Espero que essas informações tenham sido úteis.
Um forte abraço e até a próxima!
Luiz, do FDS.



Vontade x desejo… o Ser como sendo esse fluxo que se movimenta de um lado para o outro através da nossa libido.
Adoraria ver o artigo sobre o vício disfuncional e de que forma podemos acessar essas virtudes, fazendo do ser, o Ser.
Boa irmão! Vou começar a trabalhar nisso. Valeu 🙏🔥